terça-feira, 4 de dezembro de 2012














Hoje mendiguei por Amor.
Hoje, Ontem e talvez Amanhã.
Fiz aquilo que tanto critico nos outros.
Cometi loucuras.
Gritei. Chinguei.
E depois chorei.
Chorei todas as lágrimas que tinha no corpo.
Lágrimas de anos.
Lágrimas de todas as vidas passadas.

domingo, 23 de outubro de 2011

"Our Love was heard by the Gods"

Neste momento em que tu e eu nos olhamos,
o mundo reduz-se a isto...
a nós.
Entrelaçando as mãos,
sorrimos de novo,
felizes,
tu e eu,
nesta bolha de ar só nossa.
Deslizamos em forma de dança,
rodopiando e vendo o céu girar sobre nós.
Os movimentos outrora de Tango,
abrandam agora em forma de Valsa
e olhamos cada detalhe das nossas mãos.
Como encaixam bem uma na outra...
E num movimento louco,
deixamo-nos caír numa imensidão de amor.
Enrolados dentro desta nuvem branca,
entramos numa realidade paralela
mergulhando no mundo um do outro.
Elevam-se plumas pelo ar,
esvoaçam soltas,
rebeldia fugaz,

felicidade iminente.
Entre suspiros e toques,
irrompem suavemente pela relva molhada,
onde a tarde se prolonga
nesta imensidão de mel e prazer.
Suor doce e frio,
tortura esta...
entre o bem e o mal.

sexta-feira, 16 de julho de 2010


Ainda ontem a minha vida era assim...
Descomplicada...
Desamante...
Desinfeliz...
Desinteressadamente simples.
Ausente das histórias de amor;
Inescrita nos livros de poesia;
Apagada da lista do Cupido;
Longe de qualquer encontro e desencontro.

domingo, 25 de abril de 2010

" A última dança "


A guitarra tenta-me enquanto coloco o último gancho no cabelo.
Olho o espelho, agarro a saia e avanço para o palco.
O coração estremece a cada passo,
mas avanço sem medos,
confiante que será uma grande noite.
A dança é a minha vida.
O meu pequeno mundo de suspance.
Quando a guitarra toca, toca apenas para mim.
Toca com paixão,
Com desejo.
Com vontade de romper com tabus e preconceitos.

Enquanto me perco nestes pensamentos...
Eis que entras em palco.
Debaixo destes focos que te tornam tão devastadoramente atraente.
Entras como quem diz: "Cheguei!"
E o palco passa a ser teu.
A música começa baixinho...
enquanto te aproximas para me tomares nos braços.
Levanto a cabeça e revejo cada traço do teu rosto,
como se da primeira vez se tratasse.
Sorris e dizes-me baixinho:
"Hoje é a nossa grande noite"
A guitarra inquieta-se,
as cortinas abrem-se,
a luz apaga-se.
Ouve-se o meu coração bater.
Mas tu mantens-te firme e confiante.
A música dá início aos meus passos e deixo-me levar,
deslizando por este palco espelhado e negro como os teus olhos.
E a cada triste toque desta guitarra,
envolvemo-nos em paixão e fervor.
Ora me mandas para o chão.
Ora me afagas o cabelo enquanto me puxas junto ao teu peito.
Esta dança é só nossa.
Mas o ambiente envolvente enlouquece junto a nós.
A música toca mais alto,
a guitarra puxa por nós,
e já me lanço louca aos teus cabelos.
A rosa está agora na tua boca,
mas não tarda a ser arrancada ferverosamente pela minha.
Enrolas-me e beijas-me,
Lanças-me para longe e sorris maléfico.
O suor escorre-me pelo peito.
Levanto a saia e ergo a perna para te fazer suar também.
Deslizamos como uma chama acesa.
Enlouquecidos pelo som do violino que entra a meio do Tango.
Enquanto o piano marca os nossos passos mais lentos,
a guitarra insiste em nos queimar por dentro.
Mais uma volta e agarras-me por detrás.
Apertas-me uma vez mais,
e lanças-me ao chão.
A música atinge o seu auge e a guitarra morre.
A luz apaga-se.
E aos teus pés me rendo exausta.



domingo, 24 de janeiro de 2010


Segredas-me ao ouvido um poema que escreveste
E sorris dizendo...
Gosto de ti.
Assim...
de cabelo desgrenhado,
mesmo com olhos de choro,
com boca de recusa.
Gosto e pronto.
Não minto... tu sabes.
Sei que não és minha
Sei que não és de ninguém.
Mas gosto de ti assim...
sem maldade,
sem promessas,
sem pedir perdão.
Mordo o lábio cada vez que te aproximas,
tremo e deixo-te falar.
Não sei o que dizer,
perco-me nesse teu olhar.
Não sei de mim desde que me perdi em ti.
Quem sabe para onde fui...
Só sei que fui e não me encontro mais.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010


Tão frágil este amor umbilical...
Tão inexplicavelmente dependente como se de água se tratasse.
Doce...
Como uma pequena pluma navegando pelo rio;
Rodopiando sem rumo;
Elevada pela brisa marítima;
Docemente navegando ao destino incerto.
Tão frágil...
Que sustenho a respiração para não se partir.
E no entanto tão forte,
Que nada me desfoca do seu alcance.
É este ser que dá sentido ao que se faz no mundo.
É este pequeno ser que vejo da Lua
e me perco durante horas só para o vêr sorrir.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

"No profundo Azul"

Entro na água gelada e deslizo pesadamente para o fundo.
É escuro aqui.
Tenho frio.
Mal sinto o meu corpo.
As bolhas saiem bruscamente procurando a superfície,
talvez em busca de liberdade...
Mas escolho ficar mais um pouco aqui,
sentindo o subito silêncio.
O movimento da água embala o meu cabelo como se fora uma alga à deriva
E deixo-me caír numa sonolência subaquática.
Escuto o bater do meu coração.
Faz eco.
Ouço-o agora tão bem.
O profundo azul ilumina-se,
entram alguns raios de luz solar.
É lindo vêr o céu de dentro do mar.
As sombras, os brilhos, as transparências.
Tudo é tridimensional e envolvente.
Respira-se aqui...
Como?
Não sei...
Mas respiro...
Revigoro-me interiormente nestas águas cheias de sal e vida.
Fecho os olhos e revejo-me.
Sou eu aqui.
Eu.
O meu corpo, a minha Alma.
A minha pele, as minhas mãos...
vazias de promessas,
libertas de magia.
Aqui não há tempo, não há pressa.
A vida escolhe o seu próprio caminho.
Subir ou descer...
é tão simples...
Quando finalmente solto o ar tóxico
que retive durante tanto tempo,
as águas emergem-me dentro de uma bolha de ar gigante.
E numa golpada de ar frio o meu corpo volta a respirar como se fosse a primeira vez.